quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FICHAMENTO DE RESUMO:

REPENSANDO A TEXTUALIDADE

                                      Maria da Graça Costa Val (FALE/UFMG)


Língua Portuguesa em debate: conhecimento e ensino/José Carlos de Azeredo (organizador). 4. Ed. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. 


O texto “Repensando a textualidade” de Maria da Graça Costa Val, trata de um estudo sobre os principais aspectos da textualidade. Desde o princípio da Linguística textual, a textualidade se define como um grupo de características que fazem um texto ser um texto, e não somente uma seqüência de frases. A LT se dedicou a estudar desde que se desenvolveram os princípios constitutivos do texto, a produção e a recepção. Com o conhecimento mais amplo, passou dos limites da frase, buscando os processos, ou seja, suas condições de produções, enunciação e interlocução.
Para Val antes não era dado reflexões lingüísticas a textualidade, sendo  necessário repensar a conceitualidade textual de acordo com a análise do discurso, as teorias de enunciação, a Pragmática, a análise de conversação e os estudos sobre língua falada, “tais características advindas de recursos textuais, pois nosso próprio ato de falar produz textos”. Anteriormente as tendências concebidas e privilegiadas na Lingüística Textual, em 1977 por Maria-Elizabeth Conte, foram três: a 1ª análise transfrástica que se liga a coesão, pois trata de como é empregado a gramática. Nesse momento o estudo mais importante foi o de Isenberg (1968), que apontou questões sintáticas e relações semânticas. Os procedimentos de textualização têm doze características que alinha o possível funcionamento entre enunciados e faz com que o falante execute e reconheça estruturas textuais subjacentes. Na segunda o texto é visto como unidade de sentido, que no contexto da coerência textual e da macroestrutura semântica ele deixa de ser pensado na visão de significados e passa a ser visto como algo global. A terceira e última tendência é a tipológica, segundo Costa Val citando Conte (1977), é a vez de a pragmática dominar na realização de textos, esse novo domínio tinha por objetivo explicar a competência comunicativa, ou seja, à capacidade que o falante tem em agir diante da comunicação social. Em uma breve análise de algumas obras, a autora cita vários lingüistas, Halliday & Hasan que dizem que “um texto sem coesão seria um não-texto”. Os segundos a serem citados são Harweg (1968) e Marcuschi, Harweg situado por Conte (1977) segundo a autora, consideraram que os pronomes eram parte insubstituível no texto, com essa dominância inicial na LT o texto foi definido como “cadeia pronominal ininterrupta”, então a coerência foi tomada como principal ponto da textualidade e a coesão insuficiente. Estudiosos como Kock e Travalia, afirmam que “há muitos textos sem coesão que apresentam coerência”. Outros autores como Beugrande & Dressler (1981), consideram como ponto importante a atividade comunicativa textual (processo), os mesmos criaram os sete princípios constitutivos da textualidade, que funcionam como comportamento na comunicação textual; e três princípios que controlam comunicação textual que são eficiência, eficácia e adequação. Costa Val define os sete elementos de acordo com os criadores.
Beugrande & Dressler diz que coesão refere-se aos modos como os componentes de um texto se conectam. A coerência “não é um meio traço dos textos, mas sim o resultado de processos cognitivos entre os usuários do texto”. A intencionalidade é a intenção do usuário e a aceitabilidade é a expectativa. Já a informatividade é uma avaliação do grau de conhecimento do usuárioou á previsibilidade do texto. A situacionalidade é como os usuários vêem a ocorrência do sentido textual, a partir de seu conhecimento. Por último, a intertextualidade diz respeito a um texto que foi construído a partir de outro.
Charolles (1978) é outro autor também citado por Costa Val. Ela da ênfase as quatro meta-regras criadas pelo mesmo, que diz que é inconveniente a separação do semântico e do pragmático, e o iminente do situacional, assim não vale a pena distinguir a coesão da coerência. A primeira é “meta-regra da repetição”, que diz que a linearidade de um texto se da por retomadas que reitera o que foi dito. A segunda diz respeito à “progressão” que é o inverso da repetição e da continuidade, pois o desenvolvimento do texto depende de novas informações. A terceira é a “não-contradição”, ou a lógica do texto. A ultima meta-regra é a de “relação”, pois a coerência de texto também depende da relação direta entre os fatos citados no mesmo.
A autora conclui o seu texto dizendo que a posição seguida por ela pode vim a deixar os professores um pouco perplexos e levantar questões como a seguinte: ‘se tudo é texto, se não há diferença entre texto e não-texto, se não se pode dizer que um texto não tem coerência ou não tem coesão, então tudo o que os alunos escreverem ou disserem estará bom, não resta nada a fazer em sala de aula!’. Diz ela acreditar que ao contrário, este modo de compreender a textualidade abre perspectivas promissoras para o ensino, e mostra em seguida algumas das possibilidades de aplicação que ela ver para esse quadro teórico em aulas de Língua Portuguesa. 

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